sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Capitulo 5

Talvez tudo esteja certo.
26/12/2220

            Os dois agora super amigos acordam e notam como o céu está de uma forma estranha. Está com um sol mais forte que o normal e não avistam nenhuma nuvem nem pra leste nem oeste, isso era raro vindo daquela parte do planeta. Mesmo assim com muita fome e pouca comida os dois seguem viagem, para a esperada terra celestial que se encontra ao fim da floresta Midgard. Na verdade no começo da viagem Jack nem queria nada, só partir e saber como é a estrada. Saber como os problemas ao fim podem ser as coisas mais gostosas de uma partida. Uma partida de estrada, não uma partida de carro, entenda. Mas Jack, um rapaz de corpo ainda franzino se depara com algumas falas bem estranhas, parecendo gruídos de monstros, nota que seu estômago precisa muito de alguma coisa, ele estava morrendo de fome e ainda não tinha percebido. Zeus, seu mais novo amigo, também não ia bem das pernas, mas ele era mais rechonchudo, assim tinha mais energia em seu corpo e não estava com tanta fome, mas não recusaria churros. Zeus é louco por churros! Mas isso é pra outro momento. Ambos caminhavam, mas o sol escaldante e forte já fazia efeito nos amigos, fazendo sentarem em uma sombra perto de uma árvore bem estranha. Mas fazia uma brisa sensacional quando se encostava nela, até parecia que a árvore era de outra estação. Mesmo com uma tranquilidade debaixo da árvore Zeus não se conteve e falou:

            - JACK! Eu tô é muito cansado meu parceiro, minhas pernas não aguentam andar muito nesse sol não, esqueceu que sou uma evolução de um cachorro? Ainda tenho os traços preguiçosos deles, preciso de um ranguinho cara.

            Jack olhou para o Zeus falando e começou a rir. Na verdade ele já estava delirando por causa do calor tão intenso, mas mesmo assim entendeu o que seu amigo falava.Estavam sem comer desde o outro dia, estava na hora de conseguir algumas sementes ou algo do tipo. Jack mal tinha amigos, não poderia perder o que lhe sobrou.Recuperou-se subitamente de seu delírio de verão e decidiu caminhar a procura de alimentos para seu amigo, e mesmo sem intenção, para ele também. Jack seguiu por perto enquanto Zeus ficou sentado largado na árvore. Enquanto procurava pelos seus preciosos alimentos, vinham todos os pensamentos em sua cabeça: voltar para casa, comer tranquilo, voltar a sua vida cotidiana e simplesmente esquecer Midgard e todos os problemas que teve, voltar e não ter preocupações por ninguém como estava tendo com Zeus. Mas na verdade ele não deu bola para essa parte do seu cérebro e continuou a sua caçada por alimentos. No caminho viu muitos ratos, esquilos e bichos bem feios, feios mesmo. Ouviu um grito que parecia um canto de vitória, subitamente pensou que Zeus tinha gritado, mas era uma voz diferente, umas voz mais rouca que a dele. Correu em direção a voz tentando se camuflar na floresta. Era difícil fazer isso com a respiração tão forte como ele estava por estar cansado. Até uma formiga notaria sua presença. Não teve outra:

            - Ei garoto, consigo notar que está cansado e longe de mim, mas já notou que tenho um arco e flecha né? E atrás tenho diversas flechas, se não se mostrar e disser o que você quer, posso acertar bem no meio da sua testa uma flecha, a escolha é sua.

            Jack desesperado não conseguiu pensar em alguma escapatória. Conseguiu avistar o humano com um arco e flecha pendurado em suas costas e o rosto todo sujo, além de suas roupas bem desgastadas, parecendo que estava na floresta há muito tempo. Ele se mostra para o caçador e faz alguns pedidos:

            - POR FAVOR NÃO ME DÊ UMA FLECHADA! Eu só estou à procura de alimentos para eu e meu amigo Zeus, um mazeltof. Estamos com muita fome e não consigo achar nada para comer.

            O caçador solta uma gargalhada e em seguida aponta o arco e flecha para o Jack:

            - Acha que eu caio nessa? Mazeltof não existem mais, os humanos já mataram todos Mesmo em Midgard, uma terra tão mágica, não conseguiu superar os humanos, seres desprezíveis. Mas se me mostrar ao seu amigo posso conseguir algumas frutas para vocês.

            Jack não pensa e chama o caçador para percorrer o caminho até Zeus. Dentro da sua cabeça começa a vir umas perguntas de como que o caçador odeia tanto os humanos, sendo que ele se parece tanto como uma pessoa normal, quer dizer normal não né, o cara tem cara de maluco, mas ainda assim é um ser humano. Fica em silêncio o caminho todo, e o caçador muito mais quieto que ele. Ao fim do percurso notaram que Zeus, o fiel amigo de Jack, estava tirando um cochilo, roncando como nunca, fazendo assim os dois humanos rirem por alguns segundos. Mas o caçador fala em seguida:

            - E não é que o mazeltof que você falava é de verdade? Meus parabéns cara! Conseguir fazer amizade com esses caras é raro demais por eles estarem em extinção, até mesmo no chão sagrado de Midgard. Como prometido vou descolar algumas frutas para vocês, mas em seguida sumam daqui, não quero ninguém no meu perímetro.

            Jack só conseguia rir de felicidade. O caçador que tira uma penca de frutas, entregando Jack e acordando o Zeus para entregar frutas também. Ambos nem pensam e já começam a destruir as frutas (comendo é claro) sem nem agradecer ao caçador. Mas Zeus por nem conhecer o caçador fica o encarando,ao mesmo tempo que devora uma melancia quase por inteiro, e como sempre solta uma de suas perguntas:

            - Ei cara, você me parece um caçador dos bons hein, mas diz aí, você é nosso amigo ou está só de passagem? E outra, você é um ser humano ou um robô? Eu gosto de robôs, mesmo não tendo conhecido nenhum.

            Jack olha com uma cara de desconfiança esperando a resposta do caçador. Tudo fica em um silêncio meio perturbador para uma floresta, afinal qualquer movimento tem barulho em uma floresta, ainda mais Midgard, que é sagrado por seres estranhos e mágicos, bem mais estranhos do que mágicos. Depois de alguns segundos o caçador explica:

            - Sou um ser humano sim, meu caro Zeus. Esse é seu nome, né? E também nunca vi nenhum robô, mas é até melhor porque eles não seriam perfurados por minhas flechas, certo?

            Os dois amigos começam a rir achando que o que o caçador falou foi uma piada, mas foi bem longe disso, foi apenas uma afirmação. O caçador sentiu liberdade e continuou a falar:

            - Sabe meus caros seres vivos, sou apenas um humano que decidiu largar toda burocracia de uma cidade, começou a pensar que plantas e raízes vieram antes dos prédios e casas, não fazia sentido morar em algo feito de pedra se a terra é tão cheirosa ao chover. Tenho meu arco e flecha desde que decidi largar tudo, faço minhas flechas com pedaços de madeira que acho... Nossa, eu gosto de flechas e vocês? Bom, não quero saber o que vocês gostam, só estou dizendo que não aguentei ficar nas pedras, precisava disso sabe? Desse ar que estamos respirando da floresta, dos animais, dos seres diferentes, desses encontros malucos como o nosso, porque afinal tudo aqui na floresta está certo, tudo está na ordem que tem que ser. Aqui você tem que sobreviver para viver, não seguir alguma coisa para viver. Enfim, já me alonguei muito acho que já vou dar o fora, e você também, deem o fora daqui.

          Jack enche os olhos de lágrimas, pois o caçador se torna o seu primeiro ídolo dentro da floresta dentro de tantos que ele já teve pra fora lá na selva de pedra, o caçador se torna o primeiro na selva da vida. Ele dá um abraço no caçador, que segue o caminho contrário de Jack e seu fiel amigo Zeus estavam para fazer.

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