Talvez
tudo esteja certo.
26/12/2220
Os
dois agora super amigos acordam e notam como o céu está de uma forma estranha.
Está com um sol mais forte que o normal e não avistam nenhuma nuvem nem pra
leste nem oeste, isso era raro vindo daquela parte do planeta. Mesmo assim com
muita fome e pouca comida os dois seguem viagem, para a esperada terra
celestial que se encontra ao fim da floresta Midgard. Na verdade no começo da viagem
Jack nem queria nada, só partir e saber como é a estrada. Saber como os
problemas ao fim podem ser as coisas mais gostosas de uma partida. Uma partida
de estrada, não uma partida de carro, entenda. Mas Jack, um rapaz de corpo
ainda franzino se depara com algumas falas bem estranhas, parecendo gruídos de monstros,
nota que seu estômago precisa muito de alguma coisa, ele estava morrendo de
fome e ainda não tinha percebido. Zeus, seu mais novo amigo, também não ia bem
das pernas, mas ele era mais rechonchudo, assim tinha mais energia em seu corpo
e não estava com tanta fome, mas não recusaria churros. Zeus é louco por
churros! Mas isso é pra outro momento. Ambos caminhavam, mas o sol escaldante e
forte já fazia efeito nos amigos, fazendo sentarem em uma sombra perto de uma árvore
bem estranha. Mas fazia uma brisa sensacional quando se encostava nela, até
parecia que a árvore era de outra estação. Mesmo com uma tranquilidade debaixo
da árvore Zeus não se conteve e falou:
-
JACK! Eu tô é muito cansado meu parceiro, minhas pernas não aguentam andar
muito nesse sol não, esqueceu que sou uma evolução de um cachorro? Ainda tenho os
traços preguiçosos deles, preciso de um ranguinho cara.
Jack
olhou para o Zeus falando e começou a rir. Na verdade ele já estava delirando por
causa do calor tão intenso, mas mesmo assim entendeu o que seu amigo falava.Estavam
sem comer desde o outro dia, estava na hora de conseguir algumas sementes ou
algo do tipo. Jack mal tinha amigos, não poderia perder o que lhe sobrou.Recuperou-se subitamente
de seu delírio de verão e decidiu caminhar a procura de alimentos para seu
amigo, e mesmo sem intenção, para ele também. Jack seguiu por perto enquanto
Zeus ficou sentado largado na árvore. Enquanto procurava pelos seus preciosos
alimentos, vinham todos os pensamentos em sua cabeça: voltar para casa, comer
tranquilo, voltar a sua vida cotidiana e simplesmente esquecer Midgard e todos
os problemas que teve, voltar e não ter preocupações por ninguém como estava
tendo com Zeus. Mas na verdade ele não deu bola para essa parte do seu cérebro
e continuou a sua caçada por alimentos. No caminho viu muitos ratos, esquilos e
bichos bem feios, feios mesmo. Ouviu um grito que parecia um canto de vitória, subitamente
pensou que Zeus tinha gritado, mas era uma voz diferente, umas voz mais rouca
que a dele. Correu em direção a voz tentando se camuflar na floresta. Era
difícil fazer isso com a respiração tão forte como ele estava por estar
cansado. Até uma formiga notaria sua presença. Não teve outra:
-
Ei garoto, consigo notar que está cansado e longe de mim, mas já notou que
tenho um arco e flecha né? E atrás tenho diversas flechas, se não se mostrar e
disser o que você quer, posso acertar bem no meio da sua testa uma flecha, a
escolha é sua.
Jack
desesperado não conseguiu pensar em alguma escapatória. Conseguiu avistar o
humano com um arco e flecha pendurado em suas costas e o rosto todo sujo, além
de suas roupas bem desgastadas, parecendo que estava na floresta há muito
tempo. Ele se mostra para o caçador e faz alguns pedidos:
-
POR FAVOR NÃO ME DÊ UMA FLECHADA! Eu só estou à procura de alimentos para eu e
meu amigo Zeus, um mazeltof. Estamos com muita fome e não consigo achar nada
para comer.
O
caçador solta uma gargalhada e em seguida aponta o arco e flecha para o Jack:
-
Acha que eu caio nessa? Mazeltof não existem mais, os humanos já mataram todos
Mesmo em Midgard, uma terra tão mágica, não conseguiu superar os humanos, seres
desprezíveis. Mas se me mostrar ao seu amigo posso conseguir algumas frutas para
vocês.
Jack
não pensa e chama o caçador para percorrer o caminho até Zeus. Dentro da sua cabeça
começa a vir umas perguntas de como que o caçador odeia tanto os humanos, sendo
que ele se parece tanto como uma pessoa normal, quer dizer normal não né, o
cara tem cara de maluco, mas ainda assim é um ser humano. Fica em silêncio o
caminho todo, e o caçador muito mais quieto que ele. Ao fim do percurso notaram
que Zeus, o fiel amigo de Jack, estava tirando um cochilo, roncando como nunca,
fazendo assim os dois humanos rirem por alguns segundos. Mas o caçador fala em
seguida:
-
E não é que o mazeltof que você falava é de verdade? Meus parabéns cara! Conseguir
fazer amizade com esses caras é raro demais por eles estarem em extinção, até
mesmo no chão sagrado de Midgard. Como prometido vou descolar algumas frutas
para vocês, mas em seguida sumam daqui, não quero ninguém no meu perímetro.
Jack
só conseguia rir de felicidade. O caçador que tira uma penca de frutas,
entregando Jack e acordando o Zeus para entregar frutas também. Ambos
nem pensam e já começam a destruir as frutas (comendo é claro) sem nem agradecer
ao caçador. Mas Zeus por nem conhecer o caçador fica o encarando,ao mesmo tempo
que devora uma melancia quase por inteiro, e como sempre solta uma de suas
perguntas:
-
Ei cara, você me parece um caçador dos bons hein, mas diz aí, você é nosso amigo
ou está só de passagem? E outra, você é um ser humano ou um robô? Eu gosto de
robôs, mesmo não tendo conhecido nenhum.
Jack
olha com uma cara de desconfiança esperando a resposta do caçador. Tudo fica em
um silêncio meio perturbador para uma floresta, afinal qualquer movimento tem
barulho em uma floresta, ainda mais Midgard, que é sagrado por seres estranhos
e mágicos, bem mais estranhos do que mágicos. Depois de alguns segundos o
caçador explica:
-
Sou um ser humano sim, meu caro Zeus. Esse é seu nome, né? E também nunca vi
nenhum robô, mas é até melhor porque eles não seriam perfurados por minhas
flechas, certo?
Os
dois amigos começam a rir achando que o que o caçador falou foi uma piada, mas
foi bem longe disso, foi apenas uma afirmação. O caçador sentiu liberdade e
continuou a falar:
-
Sabe meus caros seres vivos, sou apenas um humano que decidiu largar toda
burocracia de uma cidade, começou a pensar que plantas e raízes vieram antes
dos prédios e casas, não fazia sentido morar em algo feito de pedra se a terra
é tão cheirosa ao chover. Tenho meu arco e flecha desde que decidi largar tudo,
faço minhas flechas com pedaços de madeira que acho... Nossa, eu gosto de
flechas e vocês? Bom, não quero saber o que vocês gostam, só estou dizendo que
não aguentei ficar nas pedras, precisava disso sabe? Desse ar que estamos
respirando da floresta, dos animais, dos seres diferentes, desses encontros
malucos como o nosso, porque afinal tudo aqui na floresta está certo, tudo está
na ordem que tem que ser. Aqui você tem que sobreviver para viver, não seguir
alguma coisa para viver. Enfim, já me alonguei muito acho que já vou dar o
fora, e você também, deem o fora daqui.
Jack
enche os olhos de lágrimas, pois o caçador se torna o seu primeiro ídolo dentro
da floresta dentro de tantos que ele já teve pra fora lá na selva de pedra, o
caçador se torna o primeiro na selva da vida. Ele dá um abraço no caçador, que
segue o caminho contrário de Jack e seu fiel amigo Zeus estavam para fazer.
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