sábado, 14 de novembro de 2015

Capítulo 2

             
Midgard para quem quiser
24/12/2220

            Ele adentra a floresta qual já tinha escutado mais de mil e uma histórias, desde bruxos que vivem ali e usam carne humana para sobreviver, a um riacho mágico que faz com que tenha vida eterna. Mas o pessimismo de Jack fez pensar que era uma floresta escura que não tinha nada de mais além de mato e mais mato. Nos primeiros cem metros tinha uma pedra com a escrita em cima dela, igual das antiguidades:

“A quem adentra essa floresta
meu enorme respeito, pois é uma pessoa
com o coração puro, e a alma nobre
e não crê nas palavras sujas da humanidade.”
Rei de Midgard.

            Pronto agora que o Jack pirava de vez, o simples fato de ter aquela pedra com uma gravação dessas já tornava a viagem pra lá de elétrica. Pensar que ali já existiu um rei, e se havia um rei havia mais população com servos, príncipes e princesas, uma rainha com todo o seu poder e autoridade e o rei... Por alguns minutos ele queria sentar e ficar imaginando viver nessa época, onde não era uma floresta desabitada com apenas uma pedra e sua gravação. Seus pensamentos foram passando junto de seus passos pelo chão feito de pura terra, onde o ar era mais puro do que em qualquer outro lugar, onde havia animais que Jack jamais iria conhecer, e as flores mais belas que as demais existentes em todo universo. Mas Jack notou que estava chegando o escuro da noite, e a preocupação tomava conta de sua cabeça.                     
         O escuro tomou conta dos seus olhos antes mesmo do céu escurecer. Jack foi perfurado por alguma coisa que ele nem percebeu a sua frente, deve ter sido alguém com uma seringa tentando o envenenar, ou um arbusto de alguma árvore. Ele desmaiou. Ao acordar se depara dentro de uma cabana com uma fogueira. Havia uma linda mulher de olhos castanhos, e cabelo loiro, mas ao invés dele já começar a se apaixonar, ele estava é muito assustado com toda a situação e apenas exclamou a mulher que queria fugir dali.

            - EU QUERO SAIR DAQUI MULHER, O QUE VOCÊ FEZ COMIGO!?

            A linda mulher dá uma risada de leve e vem levitando para perto dele, parecendo estar debochando do maior desespero do garoto. Isso o deixou mais nervoso, pegou em sua mala a sua espada alada, e jurou matar ela se não houvesse uma explicação do que poderia estar acontecendo. Ela, com toda sua bondade, ficou parada, aumentou o riso e falou para Jack:

            - Pobre garoto, você estava deitado bem no meio das árvores traiçoeiras, aposto que resvalou em algumas delas e sua carne humana absorveu o veneno.Guarde sua espada, te trouxe apenas para te ajudar, seu “bobinho”. - Ela soltou uma gargalhada.- Como pode pensar que eu faria mal a alguém?

            Jack olhou bem nos olhos dela e acreditou na história, pois ele não havia sentido nada no corpo, só começou a escurecer tudo do nada, e nem anoitecer tinha ainda. Aos poucos ele guardou a sua espada e pegou a sua roupa, se vestiu rapidamente, sua timidez não deixava ficar desnudo em frente de uma suposta humana. Com toda sua curiosidade ele olha para ela e pergunta o que ela era, pois não tinha a aparência de um ser humano normal, com habilidade de levitar e tudo mais. A suposta humana ferve o sangue e se incomoda com a pergunta de Jack, mas logo responde:

            - Garoto, eu sou uma humana com poderes mágicos. É só isso. Essa calda e essa asa que tenho são só o que algumas poções perdidas na floresta me causaram, tomei achando que era bebida e me deram isso, mas já estou acostumada, mas sou humana SIM! E prefiro que me chame de doutora Sif, do que de qualquer outra coisa.

            Ele repara um pouco mais na mulher que se diz ser a doutora Sif, nota sua cauda de raposa e suas asas de anjo. É pra lá de legal para ele, mas a doutora se sente um pouco insegura dele ficar reparando nela. Notando que já está noite ele pede um lugar para repousar, e a doutora com toda sua bondade mostra a ele uma rede do lado de dentro da cabana, pronta para alguém dormir. Jack não recusa e solta um tímido obrigado para ela.Pega sua mochila, alcança seu mp4 com suas músicas, seu fone e deita abraçado a sua mochila, deixando fora da rede apenas a sua espada alada, mas não muito longe para que ele possa pegar em alguma emergência. Passa a noite tranquila.
Ao acordar a espada não estava mais ao lado de Jack, e a doutora havia saído da cabana. A primeira coisa que passou na sua cabeça foi ela ter roubado para vender sua espada. Mas ele estava errado, a doutora tinha levado a espada para fora da cabana para afiar, pois a espada mal tinha sido usada e perdeu todo o fio. A doutora devolve a espada e lhe oferece uma fruta como café da manhã, ele aceita, pois estava sem comer desde o início de sua jornada. Agradece a doutora por tudo que ela fez por ele, e ela toda bondosa responde para ele:
            - Pequeno Jack, cuidado com essa floresta, tem um caminho imenso a sua frente e lindo também, mas essa floresta é pra quem quiser hoje em dia, não são só os puros que adentram nela.

            Jack aceita as indicações da doutora, se despede com um beijo tímido no rosto, acenando um tchau. Percebendo que o dia havia raiado, tinha de partir rumo a toda sua viagem para a vida que sonhou.

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