Midgard para quem quiser
24/12/2220
Ele adentra a floresta qual já tinha
escutado mais de mil e uma histórias, desde bruxos que vivem ali e usam carne
humana para sobreviver, a um riacho mágico que faz com que tenha vida eterna. Mas
o pessimismo de Jack fez pensar que era uma floresta escura que não tinha nada
de mais além de mato e mais mato. Nos primeiros cem metros tinha uma pedra com
a escrita em cima dela, igual das antiguidades:
“A quem adentra essa floresta
meu enorme respeito, pois é uma pessoa
com o coração puro, e a alma nobre
e não crê nas palavras sujas da
humanidade.”
Rei
de Midgard.
Pronto
agora que o Jack pirava de vez, o simples fato de ter aquela pedra com uma
gravação dessas já tornava a viagem pra lá de elétrica. Pensar que ali já
existiu um rei, e se havia um rei havia mais população com servos, príncipes e
princesas, uma rainha com todo o seu poder e autoridade e o rei... Por alguns
minutos ele queria sentar e ficar imaginando viver nessa época, onde não era
uma floresta desabitada com apenas uma pedra e sua gravação. Seus pensamentos
foram passando junto de seus passos pelo chão feito de pura terra, onde o ar
era mais puro do que em qualquer outro lugar, onde havia animais que Jack
jamais iria conhecer, e as flores mais belas que as demais existentes em todo
universo. Mas Jack notou que estava chegando o escuro da noite, e a preocupação
tomava conta de sua cabeça.
O
escuro tomou conta dos seus olhos antes mesmo do céu escurecer. Jack foi
perfurado por alguma coisa que ele nem percebeu a sua frente, deve ter sido
alguém com uma seringa tentando o envenenar, ou um arbusto de alguma árvore. Ele
desmaiou. Ao acordar se depara dentro de uma cabana com uma fogueira. Havia uma
linda mulher de olhos castanhos, e cabelo loiro, mas ao invés dele já começar a
se apaixonar, ele estava é muito assustado com toda a situação e apenas
exclamou a mulher que queria fugir dali.
-
EU QUERO SAIR DAQUI MULHER, O QUE VOCÊ FEZ COMIGO!?
A
linda mulher dá uma risada de leve e vem levitando para perto dele, parecendo
estar debochando do maior desespero do garoto. Isso o deixou mais nervoso,
pegou em sua mala a sua espada alada, e jurou matar ela se não houvesse uma
explicação do que poderia estar acontecendo. Ela, com toda sua bondade, ficou
parada, aumentou o riso e falou para Jack:
-
Pobre garoto, você estava deitado bem no meio das árvores traiçoeiras, aposto
que resvalou em algumas delas e sua carne humana absorveu o veneno.Guarde sua
espada, te trouxe apenas para te ajudar, seu “bobinho”. - Ela soltou uma
gargalhada.- Como pode pensar que eu faria mal a alguém?
Jack
olhou bem nos olhos dela e acreditou na história, pois ele não havia sentido
nada no corpo, só começou a escurecer tudo do nada, e nem anoitecer tinha
ainda. Aos poucos ele guardou a sua espada e pegou a sua roupa, se vestiu
rapidamente, sua timidez não deixava ficar desnudo em frente de uma suposta
humana. Com toda sua curiosidade ele olha para ela e pergunta o que ela era,
pois não tinha a aparência de um ser humano normal, com habilidade de levitar e
tudo mais. A suposta humana ferve o sangue e se incomoda com a pergunta de
Jack, mas logo responde:
-
Garoto, eu sou uma humana com poderes mágicos. É só isso. Essa calda e essa asa
que tenho são só o que algumas poções perdidas na floresta me causaram, tomei
achando que era bebida e me deram isso, mas já estou acostumada, mas sou humana
SIM! E prefiro que me chame de doutora Sif, do que de qualquer outra coisa.
Ele
repara um pouco mais na mulher que se diz ser a doutora Sif, nota sua cauda de
raposa e suas asas de anjo. É pra lá de legal para ele, mas a doutora se sente
um pouco insegura dele ficar reparando nela. Notando que já está noite ele pede
um lugar para repousar, e a doutora com toda sua bondade mostra a ele uma rede
do lado de dentro da cabana, pronta para alguém dormir. Jack não recusa e solta
um tímido obrigado para ela.Pega sua mochila, alcança seu mp4 com suas músicas,
seu fone e deita abraçado a sua mochila, deixando fora da rede apenas a sua
espada alada, mas não muito longe para que ele possa pegar em alguma
emergência. Passa a noite tranquila.
Ao acordar a espada não
estava mais ao lado de Jack, e a doutora havia saído da cabana. A primeira
coisa que passou na sua cabeça foi ela ter roubado para vender sua espada. Mas
ele estava errado, a doutora tinha levado a espada para fora da cabana para
afiar, pois a espada mal tinha sido usada e perdeu todo o fio. A doutora
devolve a espada e lhe oferece uma fruta como café da manhã, ele aceita, pois
estava sem comer desde o início de sua jornada. Agradece a doutora por tudo que
ela fez por ele, e ela toda bondosa responde para ele:
-
Pequeno Jack, cuidado com essa floresta, tem um caminho imenso a sua frente e
lindo também, mas essa floresta é pra quem quiser hoje em dia, não são só os
puros que adentram nela.
Jack
aceita as indicações da doutora, se despede com um beijo tímido no rosto,
acenando um tchau. Percebendo que o dia havia raiado, tinha de partir rumo a
toda sua viagem para a vida que sonhou.
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