quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Capitulo 3

Festividades inexistentes
25/12/2220

            Andando sem um rumo certo, sem tentar viver, apenas sobreviver, esse era o lema do Jack. Ainda com a imagem da doutora Sif na cabeça e tudo que ela lhe falou, ele já se achava um cara mais maduro e atento ao que podia aparecer em toda floresta. Olhou para seu mp4 e notou que era natal, uma festividade dos povos antigos que celebrava o nascimento de um deus para eles, e ao passar dos anos foi se afastando cada vez mais dessa crença. Uma pena, pois quem tinha fé sobrevivia bem mais que os outros. Jack tentava não pensar nessa época, porque se lembrava de todas as festas que passou com sua família, mas preferiu sair para viver ao invés de esperar e aproveitar essa festa tão bonita que a família mantinha desde os seus primórdios. Algumas lágrimas escorrem dos olhos verdes de Jack, a saudade de seus entes queridos era mais forte do que imaginou sentir. Sem perceber tropeçou e caiu, como se algo tivesse lhe passado a perna. Enxugou as lágrimas ainda no chão, rapidamente pegou sua espada alada e se virou questionando:

            - Quem está aí? Apareça se tiver coragem!

            Ele olha ao redor e não tem nada nem ninguém, nem um bicho, nem uma pessoa, nem uma pedra que ele pudesse ter tropeçado. Foi muito estranho cair sem perceber, bem em uma hora em que se sentia mal pelas lembranças de seus entes. Levantando bem devagar com sua espada em mãos nota um bicho atrás da arvore tentando se esconder. Jack grita para que ele apareça e não tenha medo. Então uma surpresa. Era um mazeltof, um cachorro que andava em duas pernas e falava. Incrível Jack encontrar um, porque sempre achava que isso era uma daquelas histórias inventadas por mil e uma pessoas de bichos falantes, ou poções mágicas e coisas estranhas que todos inventam para conseguir atenção dos outros. Jack larga a espada no chão e coloca a sua bolsa em cima da espada, abaixa e chama esse mazeltof, de braços abertos para que ele acreditasse que Jack era um cara tranquilo para se fazer amizade. O mazeltof aparece e vai de encontro ao Jack:

            - Humano, não tente nada contra mim, sou apenas um mazeltof dessa floresta, se fizer algo posso te atormentar pelo resto de sua vida.

            Jack sorri e olha pra cima, percebe que o sol está bem forte e que o animalzinho devia estar com fome e sede. Coloca um pouco de água em suas mãos e o ajuda a tomar. Ali se iniciava uma das amizades mais verdadeiras que ele podia imaginar. O animal vem correndo e bebe toda a água que Jack colocou a disposição. Os dois ficam se encarando por um tempo, o animal tinha orelhas grandes para um cachorro normal, mas era bonito, com um porte forte. Jack perguntou seu nome, e o mazeltof responde com toda tranquilidade:

            - Humanos como sempre curiosos... Sou Zeus. Anos atrás entrei nessa floresta a procura de uma vida mais alegre do que a que eu tinha na ilha, mas nunca ninguém aparecia para ser meu parceiro. Ao ver você passando deixei meu pé para você tropeçar e me ver. Me desculpe se te irritei, só não me sinto bem sozinho.

            O garoto olha para o cachorro e percebe que essa floresta não é tão desabitada quanto ele pensava, já havia encontrado a doutora, agora Zeus o mazeltof.ao mesmo tempo que ficara com medo, criou um ânimo maior. Jack estica sua mão ao encontro de Zeus:

      - Zeus, se torne o meu parceiro à procura de uma jornada da felicidade, para encontrarmos o nosso significado para vida.

       O mazeltof nem pisca para apertar a mão de Jack e aceitar essa parceria, sem medo nem pudor do que poderia acontecer aos dois. E assim iniciou uma amizade perante o drama da vida. Os dois começam a conversar e voltaram a percorrer o caminho sem rumo da estrada, mas com uma única direção: de serem felizes. Esse era seu rumo. Bom, assim éque era pra ser...

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